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05/03/2020 10:45

O POTENCIAL DAS MULHERES NO MERCADO DE TRABALHO

O crescimento profissional feminino é tendência no mundo todo

As mulheres são a maioria da população do Brasil, representando 51,4% dos brasileiros segundo o IBGE (dados de 2014). Apesar disso, essa parcela enfrenta desafios em relação a seu lugar na economia mundial. No mercado de trabalho, a situação demonstra avanços significativos, mas ainda não é ideal.

A consolidação do sistema capitalista no século XIX contribuiu para a conquista feminina do mercado de trabalho. A Constituição de 1932 foi um dos primeiros passos a favor da força produtiva das mulheres: o documento exigia que não houvesse distinção de gênero na questão salarial e estabelecia regras trabalhistas que protegiam as mulheres em caso de gravidez.

Em 1943, houve maior consolidação das leis trabalhistas no Brasil com a criação do regime CLT, o que promoveu um grande avanço no que se refere à proteção da mulher. No mesmo período, ocorria a II Guerra Mundial, afetando diretamente o público masculino por suas consequências negativas. Com isso, as mulheres passaram a exercer ainda mais atividades fora do ambiente doméstico.

Desde então, elas vêm ganhando força e provando sua competência no ambiente corporativo. Hoje, existem grandes exemplos de mulheres à frente de multinacionais e de corporações que antes tinham seus quadros diretivos majoritariamente masculinos.

Nesse sentido, diversas pesquisas buscam evidenciar a importância das mulheres para o bom funcionamento das instituições. Exemplo disso é o estudo “Women in Business 2017”, realizado pela Grant Thornton. O levantamento, com mais de 5 mil participantes de 36 países, indica avanços e disparidades persistentes no meio corporativo em relação às mulheres.

De acordo com os dados da pesquisa, a situação no Brasil ainda é preocupante. Isso porque apenas 19% das empresas do país contam com mulheres ocupando altos cargos de liderança. Por outro lado, a Rússia conquistou o primeiro lugar entre os países participantes, com 47% dos altos cargos corporativos destinados a elas.

Uma boa notícia apresentada pelo estudo é que, no Brasil, a proporção feminina em cargos de CEO subiu de 11% para 16% no último ano.

Outra conclusão do estudo está relacionada à falta de exemplos femininos. Grande parte das mulheres que participaram do estudo afirma que uma maior quantidade de modelos a serem seguidos por elas pode estimular a liderança feminina no mercado de trabalho.

O levantamento da Grant Thornton sugere possíveis ações para possibilitar a mudança desse panorama. Entre as sugestões, estão o investimento em programas que visem a incentivar o desenvolvimento de líderes femininas e a criação de equipes de gestão mistas.

Ainda nesse tema, outra pesquisa também revela dados importantes sobre a participação feminina no mercado de trabalho. Conduzido pela empresa de consultoria McKinsey & Company, com a participação de 1 400 gerentes de empresas, o estudo intitulado “Women Matter” indicou que a cultura corporativa vigente tem forte influência na confiança feminina.

Ao demonstrar que, na Europa, as mulheres em comitês executivos têm cinco vezes menos chances que os homens de se tornarem CEOs, o levantamento revela que a ausência feminina em cargos importantes de gestão significa uma perda de talentos em potencial.

Além de apresentar um ambiente corporativo pouco inclusivo, isso também pode ocasionar prejuízos para as empresas. Isso porque a pesquisa comparou empresas com e sem mulheres no comando e verificou melhora significativa no desempenho daquelas que possuíam mais mulheres ocupando cargos de chefia. Em números, uma maior participação delas na tomada de decisão das organizações pode promover cerca de 44% de aumento no retorno sobre patrimônio.

Alguns setores da economia já perceberam os benefícios que a presença delas oferece. É o caso dos ramos ligados à tecnologia. Uma pesquisa feita recentemente pelo LinkedIn em dez países (Índia, Estados Unidos, México, Espanha, Itália, França, Reino Unido, Austrália, Canadá e Holanda) mostrou que as mulheres estão cada vez mais presentes em empregos voltados para a tecnologia.

Os dados mostram que o setor tecnológico teve aumento de 18% no número de mulheres ocupando cargos de liderança entre 2008 e 2016. As três principais atividades que apresentaram maior avanço foram designer de experiência de usuário (67%), diretora de tecnologia (60%) e desenvolvedora web (40%).

Os dados desse estudo também mostraram que a diversidade e a inclusão estão ganhando espaço na agenda das corporações do mundo todo. Mais de 37% dos chefes de recrutamento afirmaram que a diversidade é uma tendência no que se refere às contratações.

Assim sendo, nos últimos oito anos, houve um crescimento de 35% das contratações globais voltadas para a diversidade. O que se espera é que essa evolução possa refletir também na questão de gênero nos postos mais altos de chefia.

Desse modo, a força e competência das mulheres para ocupar cargos de liderança está ganhando cada vez mais reconhecimento ao redor do globo. As habilidades delas para os negócios são irrefutáveis, comprovadas por números e dados. Portanto, o completo sucesso das mulheres das finanças, na política e no mercado de trabalho é apenas questão de tempo.

Autora: Ana Cláudia Inez, graduada em Relações Públicas e mestre em Processos Comunicacionais. Integrante da equipe de comunicação da Toro Radar, é responsável pela comunicação e relacionamento da empresa com parceiros em todo o país.

 


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